Na hora de alinhar, o carro de Felipe Nasr apagou e ele foi obrigado a largar dos boxes. Um 26º lugar de gosto amargo porque vinha temperado por uma pitada forte de frustração por quem esperava um resultado importante na prova de sábado. Mas Felipe deixou de lado qualquer sentimento de revanche e partiu para fazer o que sabe fazer bem feito: acelerar muito e com a cabeça.

“Só me lembro de ter ultrapassado tanta gente assim nas 24 horas de Daytona”, comentou Nasr. “Foram 22 voltas de pura pressão, para cima dos outros, conservando os meus pneus e atacando sempre. O carro estava ótimo, a equipe foi sensacional e logo que passei o Dillman, que largou dos boxes à minha frente, fui ganhando posição a posição”.

“Tenho que continuar largando mais à frente. E tem outra coisa: na corrida de hoje ganhei muita experiência na hora de evitar batidas, disso vocês podem ter certeza”, comentou.

A disputa pela primeiras posições foi decidida com a luta entre os pilotos da equipe Lotus (Gutierrez e Calado), que acabou com os pneus dos dois e com a punição (desrespeito às bandeiras amarelas) do então líder Leimer. Davide Valsecchi não deixou escapar toda essa oportunidade e venceu pela segunda vez no fim de semana. O baiano Luiz Razia terminou em quarto.

No campeonato, Felipe subiu para o sexto lugar com os quatro pontos conquistados hoje. Tem agora 22 pontos e terá as próximas duas corridas no Bahrein, somadas às duas horas de experiência que acumulou este fim de semana, para continuar sua curva de aprendizado. “Não é sempre fácil, mas dias como o de hoje compensam e deixam a gente muito feliz, tenho a semana aqui no Bahrein para digerir tudo isso e me concentrar”, concluiu.

O piloto brasileiro Felipe Nasr larga na terceira posição no GP do Bahrein. A cada etapa, são realizadas duas baterias. A primeira bateria acontece logo mais, às 9h40, e a segunda às 4h35 do domingo.

Na  sua estreia na categoria, Nasr conquistou um sexto e um terceiro lugar. A maior dificuldade da GP2 é que não existe uma pré-temporada como na Fórmula 1. Os pilotos estreantes praticamente aprendem a pilotar nos treinos classificatórios e na própria corrida.

O Mundial talvez transformme a disputa presidencial de 2014 em um processo monotemático. Um vexame nos gramados terá menos relevância que falhas na organização. O que estará em jogo será a competência nacional.

Veja mais no texto de Marcos Coimbra.

Apenas para apimentar um pouco a discussão sobre a construção de Belo Monte:

Acabei de ler no Anuário Exame de Infraestrutura 2011-2012 que a construção da maior usina solar do País, na Paraíba, vai custar R$ 350 milhões para a geração de 50 megawatts. É um custo de geração por MW três vezes maior ao da energia que será produzida em Belo Monte.

Reflitamos.

Um movimento estranho, mas nem tanto, acontece em Natal. Foram convocadas duas audiências públicas com o objetivo de regulamentar o Plano Diretor de Natal, para os dias 21 e 22 de dezembro, no Cemure. O curioso é sobre quais áreas haverá discussões: o Centro Histórico e as zonas de proteção ambiental do Morro do Careca e de Mãe Luiza.

Vale lembrar que poucos anos atrás houve movimento parecido, que só foi barrado porque a população se mobilizou e impediu que espigões fossem construídos em frente ao Morro do Careca, na Praia de Ponta Negra. Veja mais no SOS Ponta Negra.

Então, é importante que o maior número de pessoas participe das audiências e defenda as belezas naturais, o patrimônio da cidade e seus lençóis freáticos.

Serviço:
Audiência pública
21 e 22/12/2011, das 8h às 14h
Cemure – Rua Coronel Estevam, 3705, próximo ao cruzamento com a Av. Capitão-mor Gouveia
Mais informações no site da Semurb

Estou tentando comprar o livro “A Privataria Tucana”, da Geração Editorial, escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior, mas não consigo. Confesso que acho estranho, pois o livro foi lançado no último dia 9 e grandes lojas, como Siciliano, Saraiva e Fnac dizem em seus sites que o livro está em pré-lançamento e que a previsão de chegada é apenas por volta do dia 20.

Outra coisa que me intriga é não ter visto nenhuma linha sobre o assunto da publicação em nenhum grande órgão da imprensa brasileira, já que o principal nome envolvido nas investigações do jornalista é o de José Serra.

Um amigo acaba de me informar que foi a uma loja da Siciliano e só conseguiu um exemplar porque é amigo de um dos vendedores, que ainda lhe confidenciou: “Estão barrando tudo na matriz. Não estão mandando nada pra cá”.

Veja mais sobre a história:

Chega às livrarias ‘A Privataria Tucana’, de Amaury Ribeiro Jr. CartaCapital relata o que há no livro.

‘A Privataria Tucana’ vende 15 mil exemplares no 1º dia nas livrarias.

O que Serra tanto temia.

Liberdade de imprensa: para quê, para quem?

Por Mino Carta

O ministro Lupi segura ainda, com fervor, a sua pasta, para a contrariedade de quem já o queria fora do governo, obediente às denúncias da mídia nativa. Ocorre que a presidenta não se mostrou obediente na mesma medida, a bem da sua autoridade e do seu governo, e dos cidadãos em geral.

CartaCapital não acredita que o ministro Lupi mereça especiais resguardos, tampouco o jornalismo pátrio especial respeito. Antes de ser refém do denuncismo, Dilma Rousseff mostra saber o que lhe convém, e que é ela quem manda. Os objetivos midiáticos, se de um lado parecem evidentes, de outro causam efeitos aparentemente opostos aos desejados.

Caso a intenção tenha sido realmente criar problemas para a eleita contra a vontade da mídia, verifica-se que a culatra é obrigada a um novo, constante desgaste. A cada lance da faxina, a popularidade da presidenta cresce. Pretende-se que embatume? Pois fermenta. Dilma, de resto, prepara uma reforma ministerial para o começo do ano próximo e com toda probabilidade o atual ministro do Trabalho figurará entre os substituídos.

Nebulosa é a forma pela qual se constituiu o ministério no período intermediário entre a eleição e a posse. Falou-se de interferências de Lula na escolha de vários titulares, bem como da designação de outros ao sabor de pressões partidárias de sorte a garantir a chamada governabilidade. Que las hay, las hay, é tradição da nossa política, ditada por injunções inescapáveis.

Há nomes que, CartaCapital arrisca-se a crer, não se discutem. Uns já exibiram larga competência na gestão Lula, como, por exemplo, Celso Amorim e Guido Mantega. Outros, firmaram-se sob o comando de Dilma, Mercadante, Tombini, Helena Chagas, exemplos também. Há ainda ministros que não passam de figurantes obscuros, embora lotados em pastas exponenciais. Digamos, o Ministério da Justiça.

Em mais de um episódio, o comportamento de José Eduardo Cardozo me causou perplexidade, ou mesmo sentimentos mais incômodos. Cito um episódio apenas. Foi ele quando deputado federal quem, em companhia do colega Sigmaringa Seixas, comboiou o então ministro Márcio Thomaz Bastos para um jantar com o banqueiro Daniel Dantas na residência brasiliense do então senador Heráclito Fortes. Chamo a atenção dos leitores para o fato de que à época, primeiro mandato de Lula, a mídia denuncista deixou passar o evento em branca nuvem. Ergueu-se somente a voz de CartaCapital.

Basta, para mim, ouvir o nome do orelhudo para padecer de súbitos arrepios. É do conhecimento até do mundo mineral que, condenado em diversas instâncias por tribunais internacionais, Dantas goza de regalias no Brasil. Mesuras. Proteção. Esteve atrás das grandes mazelas, das privatizações de FHC aos ditos “mensalões”. Versátil, financiou tucanos e petistas. Incólume, grampeou meio mundo. Satisfeito agora, em plenitude abrangente, imagino, com o enterro da Satiagraha.

O destino dos ministros de Dilma Rousseff preocupa sobremaneira a mídia nativa, nem um pouco a incomodam os feitos de DD. Como dizem os nossos perdigueiros da informação, Dantas é “todo-poderoso”, destes que moram em “mansões”, talvez no gênero o número 1, porque, “afinal”, é “o dono do pedaço”. E daí? Ele tem recursos e esperteza para comprar a todos, em quaisquer áreas.

Nunca esquecerei que o escritório de advocacia de Márcio Thomaz Bastos, quando ele era ministro, me processou em ação penal movida por Dantas, a -acusar o acima assinado por ter registrado apenas umas tantas verdades factuais. Nunca esquecerei o jantar na casa de Heráclito, e, anos depois, o encontro no Planalto entre Lula e Tarso Genro de um lado, doutro Nelson Jobim e Gilmar Mendes, que prometera chamar às falas o próprio presidente da República. Selaram em santa paz o desterro do honrado Paulo Lacerda, réu por ter oferecido efetivo da Abin às operações da Satiagraha.

Por mais falho que tenha sido o trabalho do delegado Protógenes, as ações criminosas do orelhudo continuam à vista. E como esquecer o que Paulo Lacerda contou a mim diante de testemunhas a respeito de pressões exercidas a favor de Dantas por deputados e senadores e até por um ministro? Os herdeiros da casa-grande unem-se na hora do risco, um cuida dos interesses do outro, nunca daqueles do País. A societas sceleris, hipócrita e feroz, sempre se repete e se renova.

Este gênero de permissividade, de leniência, de envolvimento, se quiserem de hipocrisia ecumênica machuca em mim o jornalista, o indivíduo, o cidadão.

Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital

Aos defensores da democracia norte-americana:

Na próxima quarta, 30, a Anistia Internacional vai divulgar relatório sobre prisão perpétua. Os Estados Unidos são o único país do mundo que empregam esse tipo de sentença para crianças. Segundo a Anistia Internacional, há algo em torno de 2,5 mil presos nessas condições.

Por Marcos Coimbra

Aconteceu mais um encontro do PSDB para discutir e estruturar o que chamam de “nova agenda” que o partido pretende apresentar ao País. Nas palavras do ex-senador Tasso Jereissati, presidente do Instituto Teotônio Vilela, seu órgão de estudos e pesquisas, foi um evento destinado a repensar o Brasil “para as próximas décadas”.

Realizado no Rio de Janeiro, reuniu as principais lideranças tucanas e alguns técnicos vinculados ao partido. Desses, quase todos eram antigos colaboradores dos governos de Fernando Henrique Cardoso, com participação destacada na formulação do Plano Real e na condução da política econômica.

Quem achar que foi uma oportunidade incomum, engana-se. Não que o PSDB faça seminários assim a toda hora. Mas eles estão longe de ser raros.

Pensando bem, se há algo que não falta aos tucanos é tempo e oportunidade para eles. Há pouco mais de um ano, houve outro quase idêntico, desta feita em São Paulo, no Instituto Fernando Henrique Cardoso. Como ocorreu em agosto, em plena campanha eleitoral, seus principais líderes políticos não compareceram, deixando-o restrito ao ex-presidente e assessores. Seu título era “Transição Incompleta e Dilemas da (macro) Economia Brasileira”, mas o conteúdo não diferia desse de agora. Ele também pretendia formular uma receita para o futuro do Brasil.

Nenhum de nossos partidos congrega seus luminares com tanta frequência. Nem o PT, que tem vida partidária mais intensa e regular. Para não falar nos demais, que costumam fazer seus encontros apenas nas convenções nacionais e estaduais, exigidas pela legislação.

O curioso nessa multiplicação de eventos tucanos é que eles reúnem sempre as mesmas pessoas, para tratar dos mesmos assuntos. Por que são assim?

Alguém, em algum momento (sabe-se lá com qual fundamento), vaticinou que os problemas do PSDB e das oposições nos últimos anos – a começar pelo mais óbvio, suas derrotas para o PT nas eleições presidenciais –, têm uma só origem: a não valorização do “legado de Fernando Henrique”.

De acordo com esse raciocínio, José Serra e Geraldo Alckmin erraram ao não elogiá-lo e foram além, desvalorizando-o. Assim teriam “jogado fora a identidade” e deixado as bandeiras à disposição do PT, que, ardilosamente, as teria tomado.

Tudo que aconteceu de bom com Lula e o PT e tudo que sobreveio de mal para o PSDB teria nascido aí. Mas esse pecado original seria corrigível, desde que houvesse a celebração daquela herança, equivocadamente, abandonada.

Essa tese nada mais é do que uma lenda. Nem Serra nem Alckmin, nem Serra de novo, perderam, porque não “valorizaram o legado de FHC”. Nem, muito menos, Lula e Dilma Rousseff venceram porque se “apropriaram” de seu conteúdo.

A falha fundamental do argumento é esquecer que a opinião pública se mostrou plenamente capaz de fazer sua própria avaliação do “legado de FHC” e o desaprovou. Não por lhe ter sido subtraída “a verdade”, mas por ter feito um balanço de acertos e erros, e chegado a um saldo negativo.

Para o PSDB de hoje e para o conjunto das oposições, o problema do “legado de FHC” não é ser pouco reconhecido, mas o inverso: ser reconhecido até demais. Não é que as pessoas não percebam as coisas boas de seu governo (aquelas que Lula teria, espertamente, surrupiado), mas que as contextualizam em um todo de que não sentem saudade.

E ninguém acredita que tudo o que Lula fez e Dilma está fazendo são continuações canhestras do que herdaram. Quando FHC brada, como no último encontro tucano, “Pegaram o nosso (programa) e (o) executaram mal”, ele pode ganhar o aplauso dos correligionários, mas afronta o sentimento da vasta maioria da sociedade.

Há algo de patético nesses eventos. As fotos que a mídia publica se parecem com as dos encontros de 30 anos das turmas de escola. Todos estão velhos, todos perderam o vigor da juventude. É difícil identificar, no cidadão maduro de agora, o colega de antigamente.

A “turma do Real” envelheceu. Hoje, o compromisso maior de seus integrantes parece ser com as ideias que tinham há 20 anos (fora os que têm com seus próprios bancos). Tanto que permanecem com elas e nem cogitam a possibilidade de revê-las. E que, a cada oportunidade, as repetem como um mantra.

Será que é assim, com as mesmas pessoas, dizendo as mesmas coisas, que as oposições pretendem se apresentar nas próximas eleições? Será que não desconfiam que, em 2014, as ideias de 1994 podem estar velhas? Que, muito mais que homenagear as propostas antigas, precisam se renovar e defender uma nova visão do Brasil?

Será que sua “nova agenda” é permanecer na adoração do passado?

Há uma lenda de que eu era tão distraído, mas tão distraído… Bom dia pra você que não tem de ir num protesto de rua agora! Essa pessoa não quer ser convidada para nenhum game social…ah? …desculpe, estava atualizando o meu Face, nem vi que você estava aí. O que era mesmo que estava dizendo? Lembrei, eu era tão distraído que certa vez, ao observar o céu, caí num buraco. E é com a experiência de quem já saiu do fundo do poço que gostaria de compartilhar a minha solução para a crise econômica que vive a Grécia.

Mas, antes, um pouco de filosofia barata. O que você queria? Isso aqui é um blog, não é um livro acadêmico. Fiz a primeira tentativa racional da humanidade de explicar a origem do mundo. Cheguei à conclusão de que a água era a origem de todas as coisas, a “substância primordial” que constituía a essência do universo. Quanta ingenuidade. Até Darwin, desavisado, comprou essa ideia. Hoje, todos sabemos que esse elemento primordial é o dinheiro. Sem ele não há nada. Vejam que cheguei perto, não estava de todo errado. Um dos estados da água é a liquidez. O dinheiro também é uma cachaça, uma água ardente.

Outra conceito que se provou verdadeiro através dos séculos e entrou para a sabedoria popular é o que diz que tempo é dinheiro. Aliás, tempo é a moeda corrente que falta a ricos e pobres. Todos se queixam de não possuí-lo na quantidade que necessitam, até os aposentados. Por isso que o plano de socorro à economia grega deveria incluir não só o perdão de parte da dívida como também uma moratória digital.

E o que seria uma moratória digital? Cada vez que alguém no Vale do Silício inventa uma nova rede social, uma parte importante da população economicamente ativa se dedica a decifrá-la, antes que ela a devore. Cada vez que um jogo eletrônico é lançado, milhões trocam a noite pelo dia em busca de vencer os novos desafios. Cada vez que um aplicativo para computadores, celulares e tablets é colocado à venda, pessoas correm para testá-lo e resenhá-lo.

Esse massacre demandante de novidades digitais não é mais diário, ele acontece a cada nanossegundo. Antigamente falava-se que deveria haver uma vida só para estudar, uma para trabalhar e outra para viajar. Hoje precisamos de uma só para ficar up-to-date. E aí eu pergunto: como é que o povo grego vai conseguir observar as medidas de austeridade impostas pelos credores internacionais e, ao mesmo tempo, se manter atualizado com tudo que rola na web? A conta não fecha.

A moratória digital funcionaria de maneira simples: durante X meses, ninguém, pessoas físicas ou jurídicas, poderia apresentar novidades na rede. Ficaria tudo como está. Google e Facebook, principalmente, seriam impedidos, inclusive, de aperfeiçoar seus produtos e lançar novas ferramentas. Essa medida drástica traria um pouco de paz não só à Grécia, mas também a todos os países, uma vez que a rede é mundial. A ansiedade do planeta baixaria do nível calamitoso para o alarmante.

E assim, com mais tempo livre, sem obrigações de atualizações, sem a pressão da novidade, nós gregos poderíamos nos dedicar a vender o que resta do país e trabalhar de sol a sol, a fim de pagar o impagável.